Vasco na mira: conselheiros criticam acordo da SAF com Lamacchia
O futuro do clube carioca está em pauta nesta terça-feira, data em que o Conselho Deliberativo vota a proposta de venda de 90% da SAF para a Almirante S/A, empreendimento vinculado a Marcos Lamacchia. O negócio, que já passou por leilão judicial, prevê um aporte de R$ 500 milhões para o futebol ao longo de cinco anos, a construção de um centro de treinamento moderno e a assunção de uma dívida estimada em R$ 1,5 bilhão. No entanto, o processo gerou forte resistência nos bastidores.
Críticas da oposição e pressa na votação Membros da oposição relataram que a documentação completa do contrato foi liberada apenas na véspera da deliberação. Pedidos formais para adiar a votação acabaram rejeitados, elevando a tensão política. O presidente do Vasco, Pedrinho, tem defendido publicamente a parceria e destacado a oportunidade de captar grandes investimentos para reestruturar o departamento de futebol.
Controvérsias no Conselho de Administração e na governança
Obstáculos na fiscalização e na gestão da SAF
Uma das principais mudanças exigidas envolve a alteração estatutária para permitir que um conselheiro do clube integração o Conselho de Administração da SAF, composto por três pessoas. Contudo, a indicação desse nome ficará a cargo do próprio investidor.
Críticos apontam que essa dinâmica enfraquece o controle institucional, repetindo cenários problemáticos vividos na gestão anterior com a 777. Em contrapartida, representantes da Almirante S/A argumentam que a medida serve para blindar a gestão contra interferências políticas internas.
Dúvidas sobre aportes financeiros e descontos
Incertezas no cronograma de investimentos
O pacote de R$ 500 milhões não possui datas fixas de liberação, dependendo apenas do cumprimento da meta quinquenal. Além disso, o texto prevê o abatimento de empréstimos concedidos pela Almirante no âmbito da Recuperação Judicial, o que pode gerar descontos estimados entre R$ 40 milhões e R$ 190 milhões.
Enquanto a oposição alerta para brechas na interpretação dessas deduções, a empresa compradora assegura que apenas o segundo empréstimo, no valor de R$ 40 milhões, será abatido, reduzindo o montante final para R$ 460 milhões.
Patrimônio, marca e estádio sob discussão
Redução de participação societária e uso de São Januário
Outro ponto nevrálgico é a queda da fatia do clube associativo na SAF para 10%, ante os 30% registrados no modelo anterior. A oposição cobra uma compensação financeira pela perda desses 20% adicionais. A defesa da Almirante sustenta que o pacote financeiro total cobre amplamente o valor da operação.
O contrato também estabelece a cessão de São Januário até 2030, com aluguel mensal fixado em R$ 3 milhões, valor que pode cair para R$ 2 milhões após reformas. A transferência integral da marca sem pagamento de royalties ao associativo e a ausência de garantias de ingressos para sócios proprietários completam o rol de preocupações levantadas pelos conselheiros sobre o impacto financeiro futuro.



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